sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

A longa história d’As Mil e Uma Noites

Gênios, tapetes voadores e lâmpadas mágicas: boa parte do imaginário fantástico que associamos ao Oriente Médio vem d'As mil e uma noites. Entenda como esse livro de contos compilado por um francês moldou as ideias e preconceitos do Ocidente sobre o folclore árabe.

Por Maria Clara Rossini para Super Interessante em 15 jul 2024


A versão mais antiga da história de Aladdin não foi escrita em árabe. O primeiro manuscrito conhecido sobre o jovem que encontra a lâmpada maravilhosa está em francês. Essa narrativa aparece pela primeira vez no nono volume do livro Les mille et une nuits (“As mil e uma noites”), compilado por um orientalista chamado Antoine Galland no início do século 18. As versões em árabe desse conto são traduções ou adaptações que surgiram após a publicação na Europa.


O mesmo vale para Ali Babá e os quarenta ladrões, que está no décimo volume do livro. Ambos foram considerados contos órfãos, já que não era possível determinar sua origem nem autoria. Por algum tempo, acreditou-se que o estudioso francês – que colhia e compilava narrativas folclóricas do Oriente Médio para o público europeu – havia inventado essas histórias do zero. Mas hoje temos certeza de que não é o caso.


Boa parte do imaginário do Ocidente sobre a cultura árabe vem d’As mil e uma noites. Isso vale mesmo que você nunca tenha lido uma única página do livro. Ele é uma colcha de retalhos costurada por uma história principal, chamada “narrativa moldura”. O modelo de contar histórias dentro de histórias não é inédito de Noites, e já existia principalmente na cultura indiana. Mas o livro árabe se tornou um dos maiores exemplos desse tipo de narrativa. Aqui vai um resumo:


Xariar, o rei da Pérsia, descobre que sua esposa o está traindo com um escravo. Depois de matar os dois, o rei se convence de que nenhuma mulher no mundo é confiável. Ele decide se casar e dormir com uma moça virgem a cada noite, só para matá-las na manhã seguinte. Desta forma, Xariar garante que nunca mais seria traído.


Após muitas noites, uma jovem chamada Sherazade se oferece como noiva do rei, dizendo que irá acabar com o massacre das mulheres. Na primeira noite, ela começa a contar uma história, mas não chega ao final dela. Xariar, querendo saber como a história termina, decide poupar a moça para ouvi-la na noite seguinte. Sherazade termina uma história e logo em seguida começa outra, salvando sua pele sucessivamente ao longo das noites.


As edições atuais não têm 1.001 contos, e nenhuma edição conhecida teve. É provável que essa seja apenas uma figura de linguagem. Na prática, há pouco menos de 300 deles – a quantidade exata depende da tradução. Além disso, a distribuição das narrativas não rende exatamente uma fábula por noite. Afinal, o segredo para salvar a vida da noiva é justamente interrompê-las (para os curiosos, ao final deste texto contaremos se Sherazade sobrevive ou não).


Agora, sem interrupções, vamos entender como As mil e uma noites chegaram até nós. Essa é uma epopeia por si só, que conta muito sobre os fetiches, preconceitos e fascínios dos leitores e acadêmicos europeus, revela a relação da fé islâmica com as crenças que existiam antes dela e mostra que criaturas como os gênios estão no seio da história cultural do Oriente Médio.


Quem escreveu As mil e uma noites?


O final do século 17 foi o auge da popularidade dos contos de fadas. Em 1697, um escritor chamado Charles Perrault publicou um livro com várias das histórias da tradição oral europeia, chamado Contos dos tempos passados. Lá estavam Bela Adormecida, Chapeuzinho Vermelho, Cinderela, Gato de Botas e outros. Foi um best-seller entre as madames da aristocracia francesa.


Nessa época, Antoine Galland trabalhava como antiquário e numismata – especialista em moedas – do rei Luís XIV. Ele viajava ao Oriente Médio com o objetivo de coletar dinheiro, medalhas, manuscritos e velharias em geral para a coleção do excêntrico ​​Rei Sol. Galland foi assistente do intérprete Barthélemy d’Herbelot, com quem montou uma coleção de textos e traduções de história e ciência árabe. No mesmo ano em que Perrault apresentou seus contos à França, Galland publicou uma obra chamada Biblioteca oriental, ou dicionário universal relativo a tudo que diz respeito ao conhecimento das pessoas do Oriente. Pouco pretensioso (rs).


A literatura árabe não era o principal interesse da Coroa, mas Galland viu uma oportunidade no contexto cultural da época. Ele considerava os contos do Oriente melhores do que aqueles que estavam circulando entre as dondocas na França, e havia boatos da existência de uma fonte inesgotável deles. “Galland ouve falar que os contos árabes isolados fazem parte de um conjunto maior de histórias, e começa a buscar esse conjunto com a ajuda de amigos na Síria”, diz Christiane Damien, que escreveu sua tese de doutorado sobre As mil e uma noites (1).


O primeiro conjunto de narrativas traduzido por Galland foram as lendas do marujo Simbad – que, depois, ganharam dezenas de adaptações cinematográficas e televisivas no Ocidente. A obra original consiste em sete contos que descrevem suas viagens fantásticas. Galland entrou em contato com esses manuscritos durante uma viagem à Turquia, e os traduziu para o francês na década de 1690 (2).


A história de Simbad ficou na gaveta por alguns anos, esperando o que seria o maior achado de Galland: um manuscrito intitulado Alf Laylah wa-Laylah – traduzido ao pé da letra, “As mil noite”. Lá estavam a história-moldura de Sherazade e os contos que ela narrou para entreter o sultão. Essa relíquia está guardada até hoje na Biblioteca Nacional da França. Posteriormente, por causa da encadernação, o manuscrito foi dividido em três, que hoje estão etiquetados com os números 3609, 3610 e 3611.


Há um debate acadêmico em torno de quando esses documentos foram escritos. Curiosamente, considerando que Galland era um numismata, as hipóteses se baseiam nos tipos de moedas mencionadas nos contos, e como elas se relacionam com a época e região em que eles circularam. O mais aceito é que Alf laylah wa-laylah data dos séculos 14 ou 15, e é de origem síria.


Essa ainda não é a fonte original de Noites. O texto sírio descende de um outro conjunto de histórias chamado Hazār afsāna, que significa “Mil contos” no idioma persa. Ele reúne lendas da Índia, Grécia e da Pérsia (atual Irã). Os arqueólogos nunca encontraram um manuscrito desse livro, mas ele é mencionado em outros textos árabes desde o século 9. O que sabemos é que em algum momento ele foi traduzido e adaptado para o árabe.


“Esse livro se transformou completamente. A ponto de falarmos hoje que ele é um livro árabe”, diz Damien. “Mas temos fragmentos de manuscritos que indicam que o Hazār afsāna estava vivo e circulando no mundo árabe na Idade Média. Ele ainda não era As mil e uma noites, mas já continha algumas histórias presentes nele.”


As adaptações árabes desse clássico persa foram se combinando até dar origem ao manuscrito encontrado e traduzido por Galland. O primeiro volume do livro As mil e uma noites, contos árabes traduzidos em francês foi publicado em 1704. Foi um sucesso instantâneo. Galland enxertou os contos de Simbad no terceiro volume do livro, mesmo que essas histórias não fizessem parte do manuscrito original.


Havia uma demanda eorme por mais contos árabes, o que fez Galland ir atrás de outros manuscritos originais para abastecer o mercado. Ele encontrou, por exemplo, textos egípcios que contêm a narrativa moldura de Sherazade, mas com alguns contos diferentes. Isso é o que os historiadores chamam de “ramo egípcio” de Noites. No final das contas, o francês acabou publicando conteúdo autêntico de pelo menos seis manuscritos árabes, mais alguns manuscritos turcos.


Mesmo após centenas de histórias traduzidas, ainda havia demanda do público e da editora. Galland publicou o sétimo volume de Noites em 1706, já sem saber onde procurar mais manuscritos. Para preencher espaço, seu editor acabou incluindo dois contos de uma outra coleção turca – que nada tinha a ver com Noites – no oitavo volume do livro, em 1709. E essas histórias haviam sido resgatadas por um outro orientalista francês: um rival de Galland chamado Pétis de la Croix (3).


A concorrência era tão dura que, no ano seguinte, De la Croix publicou um um livro chamado Os mil e um dias, procurando surfar no sucesso estrondoso de Galland. Tratava-se de uma adaptação de uma coleção turca intitulada Ferec ba‘d eş-şidde – mas De la Croix mudou e cortou diversos trechos, buscando encaixar as histórias no contexto pop da época.


Tanto Galland como De la Croix só souberam dessa gambiarra depois que o oitavo volume estava publicado, e ambos romperam com a editora La Maison Barbin. Esse entrave acabou servindo para que Galland tivesse tempo de ir atrás de mais histórias. No nono volume do livro, já com outra editora, ele adiciona dois contos célebres que não estão em nenhum manuscrito que conhecemos hoje: Aladdin e Ali Babá.


O francês teria inventado essas histórias? Por séculos, tudo levava a crer que sim. Mas isso mudou em 1881, quando o diário de Galland foi encontrado e publicado. Lá, ele explica que ouviu e leu as histórias de um jovem sírio chamado Hanna Diyab em 1709.


As suspeitas se dissiparam de vez quando um relato de viagem do próprio Hanna Diyab foi traduzido ao francês em 2015 e depois publicado em árabe em 2017. Diyab não só confirma que repassou algumas histórias a Galland como relata experiências pessoais semelhantes às aventuras do personagem Aladdin. Quando era jovem, Hanna participou de uma escavação subterrânea em que foram encontrados um anel e uma lâmpada – dois elementos centrais na narrativa.


É possível, portanto, que a história seja um misto de tradição oral com fundo autobiográfico. Não sabemos o quanto Galland mudou essas fábulas (como fez em outras histórias d’As mil e uma noites) para adaptá-las ao gosto do público, mas é fato que o resultado final é um trabalho conjunto entre os dois.


Em 2018, um professor do Instituto Nacional de Línguas e Civilizações Orientais (Inalco), na França, disse ter encontrado o manuscrito original de Aladdin que Hanna Diyab teria entregue a Galland. A notícia gerou um alvoroço entre pesquisadores, mas até agora esse manuscrito não foi publicado. Talvez o texto seja ilegível, ou o professor esteja blefando. De toda forma, até onde sabemos, o documento permanece desaparecido.


O conto de Aladdin original, diga-se de passagem, é bem diferente da versão da Disney. Para começar, Aladdin é da China – embora o ambiente descrito na história seja idêntico ao Oriente Médio. O personagem é convocado por um feiticeiro do norte da África para resgatar tesouros em uma caverna, e então conquista a mão de uma princesa (chamada Badroulbadour) com fortunas, como um castelo incrustado de joias.


A principal mudança é que Aladdin não encontra um, mas dois gênios na história. Um deles está preso em um anel, e ajuda o personagem a sair da caverna. O outro é o gênio da lâmpada, que concede três desejos a Aladdin depois que ele já saiu do subterrâneo.


Mais do que realizadores desejos, os gênios são figuras centrais do folclore árabe, tão antigos que não há como cravar quando ou onde eles surgiram. No Oriente, eles são mais conhecidos por seu nome original: jinn.


Seu desejo é uma ordem


Os estudiosos da literatura árabe criticam a tradução de jinn para “gênio” em português. Há uma similaridade fonética, mas não de sentido. O acadêmico Mamede Jarouche, que fez a primeira tradução d’As mil e uma noites do árabe direto para o português, explica que os jinn têm mais a ver com entidades da mitologia grega chamadas daemons.


Daemons eram divindades menores ou espíritos protetores que povoavam o panteão helênico; o mais famoso deles talvez seja Eros. Os jinn eram, grosso modo, um equivalente árabe pré-islâmico dos daemons – acreditava-se que os poetas árabes fossem inspirados por essas entidades. “Quando Maomé começa suas pregações [nos séculos 6 e 7 d.C.], muitos árabes que se opunham ao islã diziam que ele não era um profeta, que estava apenas possuído por jinn”, diz Jarouche.


Segundo o folclore árabe, os jinn foram criados a partir do fogo sem fumaça. Eles têm forma gasosa e vivem em uma espécie de plano intermediário, podendo se tornar visíveis aos humanos ou não. Existem jinn de ambos os sexos, eles podem ser bons ou maus, e em geral agem visando interesses próprios. Os jinn também podem se disfarçar de animais.


A mitologia em torno deles era tão forte na região que eles acabaram incorporados ao livro sagrado do islamismo. Os jinn seriam uma das três criações divinas, junto com os anjos, feitos a partir da luz, e os humanos, que vieram do barro. A septuagésima segunda surata (capítulo) do Alcorão é dedicada inteiramente a eles: o texto descreve o momento em que um jinni (jinni é o singular de jinn) ouve as pregações e se converte ao ao islã.


“Antes da chegada de Maomé, os jinn eram vistos como seres maiores, com status mais proeminente”, diz Damien. “Depois, o texto corânico diminui os poderes deles […] recomenda-se que os fiéis não mantenham contato com essas figuras.” Entre os jinn, também existem aqueles que são muçulmanos e os que não creem em Alá.


Dá para ir mais fundo na história. Segundo Al-Tabari, um dos principais historiadores e comentadores do Alcorão, os jinn foram criados e habitaram a Terra antes dos humanos. Mas eles acabaram expulsos após entrar em guerra com os anjos. Tempos depois, retornaram ao mundo se infiltrando nos lugares mais desprezíveis, como os desertos, esgotos e ruínas.


E o gênio aprisionado na lâmpada? Essa ideia surge com a narrativa islâmica de que Salomão, rei dos israelitas, teria recebido um anel de Deus para controlar e encapsular os jinn revoltosos. Deus também oferece ao rei o poder de controlar os ventos – dessa forma, Salomão sobe em um tapete e voa para onde quiser. É possível que os contos com tapetes mágicos (que também aparecem em Noites) tenham derivado dessa história.


Vale lembrar: jinn e outros seres míticos existem desde o período pré-islâmico, mas os textos principais que deram origem ao livro d’As mil e uma noites foram adaptados para o árabe após o surgimento do islamismo, entre os séculos 6 e 7. O folclore do livro, então, acaba se misturando com as narrativas religiosas.


Os jinn aparecem em muitas histórias d’As mil e uma noites, soltos ou aprisionados, de forma que seria difícil listar todos os casos. Uma curiosidade é que, ao se tornarem visíveis, eles podem se reproduzir com humanos. Por exemplo: uma criatura chamada nasnas, presente em histórias árabes, é descrita como filha de um shiqq, um tipo de jinni inferior, com um humano. Nasnas têm metade do rosto e do corpo, e apenas um braço e uma perna.


O livro ainda menciona ifrits, criaturas maléficas que ora são descritas como um tipo de jinn, ora como demônios. E também ghouls: monstros que vivem em cemitérios e se alimentam de carne humana. Posteriormente, esses personagens foram incorporados em videogames, livros e séries de fantasia, como em Deuses americanos, de Neil Gaiman, e Tokyo ghoul, de Sui Ishida.


Os gênios são velhos conhecidos da cultura pop. Fizeram sucesso de forma estereotipada nos anos 1960 com as séries Jeannie é um gênio e Shazzan, e nos anos 1990 com Aladdin da Disney. Mais recentemente eles ganharam uma roupagem menos caricata, como em Jinn, primeira série original em árabe da Netflix, e Duna: parte 2, em que os jinn são mencionados como espíritos do deserto.


Mais do que inspirar personagens no Ocidente, As mil e uma noites contribuiu para a visão mística que se construiu daquela região. “Na França, a tradução do Galland foi lida como uma representação das coisas reais do Oriente”, diz Jarouche. “Elas inauguram um modo de ver o Oriente filtrado pela ficção.”


Histórias em transformação


O último volume d’As mil e uma noites de Galland foi publicado em 1717. Sem essa tradução, não existiriam As viagens de Gulliver ou Robinson Crusoé – pelo menos não como são hoje. Esses clássicos da literatura inglesa são narrativas de viagem em que os protagonistas conhecem mundos distantes, assim como nos contos de Simbad. Esse trio de histórias traz reflexões sobre moral, valores e a organização da sociedade a partir do contato com ilhas estranhas e remotas.


Simbad, por sua vez, é descendente de um livro chamado Relatos da China e da Índia, que reúne descrições factuais (ou, por vezes, fantásticas) de marinheiros muçulmanos que tiveram contato com essas duas regiões nos séculos 9 e 10. Diferentemente do Hazār afsāna (que conhecemos da mesma época), o Relatos sobreviveu ao tempo, e hoje é uma peça de pesquisa para historiadores e estudiosos de literatura.


Finalmente, sobre Sherazade: durante o período com o rei, ela deu à luz três filhos. Ao final das supostas mil e uma noites, a rainha diz que não tem mais histórias para contar, e pede para se despedir das crianças antes de ser executada. Xariar, no entanto, já estava apaixonado, e decide mantê-la como esposa. Esse final está nos manuscritos mais recentes d’As mil e uma noites.


Os tempos mudam, as histórias mudam junto. Você não precisa ter lido As mil e uma noites para conhecer alguns contos que estão ali – eles se transmutaram em outras histórias, mais próximas da nossa cultura do que imaginamos. E continuarão a atravessar fronteiras e épocas enquanto a humanidade tiver vontade de contar boas histórias.


Fontes: (1) artigo “O sobrenatural e o mágico nas mil e uma noites”; (2) artigo “Tales from the crypt: on some uncharted voyages of Sindbad the sailor introduction”; (3) artigo “The politics of translation: two stories from the turkish Ferec ba‘de Şidde in Les mille et une nuit, contes arabes”; Alcorão; “Livro das mil e uma noites”, traduzido do árabe por Mamede Mustafa Jarouche.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Nangeli, a indiana que cortou seus seios para protestar contra um imposto

 via mdig

"Durante séculos, as castas ditaram quase todos os aspectos da vida religiosa e social da Índia, e cada grupo ocupa um lugar específico dentro da sociedade complexa e hierarquizada. Os dalit ou "intocáveis" são os membros mais pobres e discriminados na sociedade de castas. E Nangeli, como terão podido imaginar, era uma dalit, que vivia com seu marido Chirukandan, logicamente também dalit, em Cherthala, um pequeno povoado costeiro do reino de Travancore, hoje o estado de Kerala ao sul da Índia.

Nangeli, a mulher que cortou seus seios para protestar contra um imposto


Duas redes e uma cabana de pau-a-pique eram suas únicas posses. Por sua condição de intocáveis tinham muitas obrigações e impostos a pagar, entre eles o mulakkaram, o imposto dos seios que as mulheres dalit tinham que pagar se quisessem cobrir o busto.

Além de encher as arcas das classes superiores, este imposto servia para manter a estrutura de castas, já que o torso nu era um sinal de respeito para as castas superiores e, desta forma, também podiam se identificar simplesmente pela forma em que se vestiam. A roupa marcava a identidade social, e a parte superior assumiu um papel simbólico. Mesmo assim, se pudesse pagar podia cobrir.

As jovens adolescentes dalit recebiam a visita do cobrador público que estabelecia o imposto que deveriam pagar durante toda sua vida se desejassem se cobrir. E Nangeli, indignada e humilhada por aquela injustiça que só obrigava às mulheres de sua casta, um bom dia, no começos do Século XIX, disse basta.

Ela passeou pelas ruas de seu povoado com os seios cobertos sem ter pago previamente o imposto. Como era de esperar, uma vizinha linguaruda a denunciou e recebeu a visita do arrecadador do reino no seu barraco. Ele exigiu que pagasse o imposto, e, ato seguido, ela se negou. Depois de ameaçar com o castigo correspondente para aquela infração, Nangeli simplesmente pegou um ceifador de trigo e, diante de seus narizes, cortou os seios e entregou-os em uma folha de bananeira.

- "Pronto, se não tenho seios, não tenho que pagar o mulakkaram", disse a mulher.

O arrecadador, aterrorizado, sem poder dar crédito ao que acabara de ver saiu correndo. Quando Chirukandan regressou para casa naquele dia, encontrou o corpo de Nangeli em uma poça de sangue. Ela morreu devido a perda excessiva de sangue. Chirukandan morreria também horas depois, quando, perturbado, pulou na pira funerária em chamas da esposa. O casal não teve filhos.

O sacrifício não foi em vão. A notícia correu como fogo morro acima por todo o reino e muitas mulheres das castas inferiores se revelaram contra o pagamento do imposto, no que ficou conhecido como a revolta Channar.

Uma revolta que, reprimida em muitas ocasiões com brutalidade, as mulheres das castas inferiores mantiveram latente durante mais de 30 anos até conseguir seu objetivo. A rebelião atingiu tal envergadura que o governo britânico e os missionários cristãos pressionaram o governo de Travancore para que cedesse. E isso ocorreu em 1859. permissão para cobrir seus seios sem pagar nenhum imposto, mas mantiveram a restrição de que não podiam imitar o modo de vestir das mulheres das castas privilegiadas.

Durante muito tempo Cherthala ficou conhecida como Mulachiparambu, "a terra da mulher dos seios".

Nós não podemos cometer a leviandade de deixar de informar que esta história é amplamente vista como uma lenda urbana entre os círculos acadêmicos, mas ganhou ampla atenção desde a publicação de um artigo da BBC Ásia, que conversou inclusive com um suposto bisneto da prima de Nangeli, Maniyan Velu, que se disse chateado porque a história de Nangeli não é mais co

Tentando contentar a todos, às mulheres dalit agora tinham anhecida.

- "Seu ato foi altruísta, um sacrifício para beneficiar todas as mulheres de Travancore e, por fim, forçou o rei a reduzir o imposto sobre os seios", disse ele.

Um homem idoso, Maniyan não possui terras, e seus filhos trabalham na roça, mas ele não buscava caridade nem publicidade, apenas algum reconhecimento.

- "Estamos muito orgulhosos de ser sua família. Tudo o que queremos é que mais pessoas saibam sobre seu sacrifício. Seria adequado se o nome dela fizesse parte da história desta região", disse ele." 

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Documentário sobre o Kumbh Mela e os Naga Sadhus

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sábado, 20 de fevereiro de 2021

Era Shiva um Astronauta? A arqueologia por trás do boato da civilização perdida num rio indiano

Texto escrito por Potira em 20/02/2021 para o blog As Mil e Uma Índias

Você já viu pelas redes sociais alguma das imagens abaixo? Há quem diga que são vestígios de alguma misteriosa civilização que estava submersa em um rio na Índia. Outros acreditam que seja prova da existência de Atlântida. Alguns afirmam que os "misteriosos" símbolos são representações de naves espaciais e até quem alerte que o rio Ganges está secando pelo excesso de barragens. Mas será que estas imagens são reais? O que elas realmente significam? Ficam realmente na Índia? Ficam no rio Ganges?











Algumas das imagens postadas nas redes sociais sem créditos e sem fontes

Lembrando que os debates decoloniais já evidenciam que ao longo da história o colonialismo tratou como "alienígena" qualquer evidência material que mostrasse grau elevado de sofisticação, refinamento e desenvolvimento tecnológico dos povos subjugados. Não me proponho aqui a discussão sobre a crença na existência de Atlântida, assim como deixo de lado o debate sobre a questão fluvial do Ganges ou de qualquer outro dos milhares de rios indianos (que mudam seu volume de água em razão das monções ou de outras alterações climáticas e/ou humanas.) 

Não é a primeira vez que me deparo com estas imagens e com o mesmo boato. Mas agora estou vendo alguns brasileiros compartilhando imagens de dois locais diferentes (um na Índia e outro no Camboja) como se fossem de uma recém descoberta cidade indiana que ficou visível após a seca do rio. Por não termos muitas informações em português vou trazer aqui algumas traduções com as devidas referências e no final uma explicação da mitologia hindu sobre os símbolos lingas

Em 16 de julho de 2018 numa reportagem de Harsha Singh para o The Times of India chamado "A verdade por trás do surgimento de 'um lakh (unidade de medida indiana equivalente a 100.000) de Shiva Lingas' num rio em Karnataka" consta que as imagens são verdadeiras, mas as informações atribuídas a ela são falsas. O boato dizia que pela primeira vez na história da Índia poderiam ser vistas centenas de milhares de shivalingas no rio Shivakashi em Karnataka, Índia. 

Uma das postagens que espalhou o boato reproduzida no The Times of India

A reportagem informa que Sahasralinga, distante 14 km da cidade de Sirsi, fica realmente em Karnataka e é um famoso local de peregrinação principalmente durante o festival hindu de Mahashivaratri. Seriam cerca de mil lingas e não centenas de milhares de esculturas nas rochas das margens do rio Shalmala. Foram construídas durante o reinado de Sadashivarayavarma, rei de Sirsi entre 1678 e 1718. No final do texto tem o nome de um local com esculturas semelhantes: Kbal Spean que compõe um sítio recentemente registrado pela Unesco e faz parte do famoso conjunto arqueológico de Angkor no Camboja.  

Sobre este segundo local em matéria no The Times of India, assinada por Panchali Dey em 11 de outubro de 2018: "Caminhe até Kbal Spean, o 'Rio de 1000 Lingas'." temos informações sobre as outras fotografias das esculturas no rio em meio a selva no nordeste de Angkor. Foram construídas durante o reinado de Udayadityavarman II no século XI e teriam sido descobertas pelo etnólogo francês Jean Boulbet em 1969. 

Esculturas em Kbal Spean, Camboja postadas na matéria do The Times of India 

Como as dinastias de Angkor praticavam o hinduísmo, há milhares de templos e esculturas de divindades hindus. Em Kbal Spean, no leito do rio foram esculpidas muitas lingas e representações do deus Shiva com forma humana. Também há diversos touros e destacam-se imagens reclinadas do deus Vishnu com as serpentes e do deus Brahma sentado em um lótus. 

Esculturas em Kbal Spean, Camboja postadas na matéria do The Times of India

Lingas

Nas imagens as esculturas em pedra retratam predominantemente o deus Shiva e seu veículo o touro Nandi. Algumas das representações da divindade hindu não são antropomórficas, ou seja, não tem forma humana e pode-se ver o formato fálico. Não tem nada de alienígena, trata-se de uma representação comum encontrada em locais de culto ao deus Shiva.

O símbolo que se chama Linga ou Lingam é o "arquétipo do órgão sexual masculino, representação da fertilidade e ícone da criação e destruição rítmicas do universo. [...] Ao lado do Lingam sempre encontramos a Yoni, arquétipo do órgão sexual feminino, assimilado à porta para o mundo e à porta para a libertação do ciclo de renascimentos e mortes individuais." (SARASWATI, Aghorananda. Incursões pela mitologia hindu. Belo Horizonte: Satyananda Yoga Center, 2019. p. 181)
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Kalbelyias: os ciganos indianos do Rajastão



Este filme sobre os Kalbelyias, um grupo cigano da Índia foi feito em 2015 pelo cineasta, músico e fotógrafo francês Raphael Treza em Pushkar, no Rajastão. Mostra um pouco do cotidiano deste grupo e foi transmitido no Discovery Channel Asia em 2020.
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sábado, 17 de junho de 2017

Malayalam short film

Incrível!
Assista com legendas em inglês!

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quinta-feira, 1 de junho de 2017

A MISTERIOSA CIVILIZAÇÃO DE HARAPPA


Por Joelza Ester Domingues 
  
A partir de 3500 a.C., mais de mil cidades surgiram no noroeste do subcontinente indiano estendendo-se pelos atuais Paquistão, parte da Índia e Afeganistão. Harappa, o primeiro sítio escavado, batizou essa enorme sociedade de Civilização Harapense ou Harapeana.
   Ela floresceu no vale do rio Indo e do agora seco Rio Sarasvati e seus afluentes cobrindo uma área de 1,25 milhões de km2 o que a coloca como a civilização antiga de maior extensão geográfica do mundo. No seu auge, entre 2.600 a.C. a 1900 a.C., pode ter tido uma população de mais de 5 milhões de pessoas. 

   Civilização de Harappa. 
             Pesquisas recentes indicam que ela teria se iniciado na Índia. 

Primeiras descobertas 

   As ruínas de Harappa foram descritas pela primeira vez em 1842 pelo aventureiro britânico Charles Masson, mas, somente em 1856, quando engenheiros britânicos estendiam os trilhos da East Indian Railway Company elas despertaram interesse utilitário: seus tijolos duros e bem queimados foram usados na construção da ferrovia.
   Em 1872, o engenheiro e arqueólogo britânico Alexandre Cunningham publicou o primeiro selo de Harappa. Mas ainda levaria meio século para Harappa ser escavada (1922) e, dez anos depois, Mohenjo-Daro, mais ao sul. 
   As descobertas surpreenderam os pesquisadores que encontram cidades planejadas e tecnologicamente avançadas em metalurgia, sistema de escrita, padrões de medida etc. Os trabalhos arqueológicos entraram em ritmo acelerado. Após a independência, em 1947, a maior parte dos achados foi herdada pelo Paquistão que deu continuidade ao trabalho. 
   Em 1999, haviam sido encontrados 1.056 cidades e assentamentos, dos quais somente 96 foram escavados. Destes, os principais são: Harappa, Mohenjo-Daro (Patrimônio Mundial da Unesco desde 1980), ambos no Paquistão; Rupar, Lothal e Rakhigarhi na Índia. 
   Rakhigarhi, no noroeste da Índia, situado próximo ao leito seco do rio Sarasvati, é considerado o maior sítio harapeano, com 350 hectares ou 3,5 km2 enquanto Harappa e Mohenjo-daro têm, respectivamente 200 e 150 hectares. É, também, o mais antigo, com datações entre 6000 e 5000 a.C. o que leva à hipótese de que Rakhigarhi foi o núcleo inicial da civilização harapeana e de onde ela teria se expandido para o vale do Indo. 

   Mohenjo-Daro, “cidade dos mortos”, no Paquistão. 

Harappa, a primeira cidade descoberta no Vale do Indo. 


Início da civilização 
   O vale do Indo e do Sarasvati começaram a ser ocupados por aldeias neolíticas por volta de 7.500 a.C. (cultura pré-Harappa). 
A civilização harapeana teria tido seu aparecimento por volta de 3500 a.C. passando por 3 fases: 
*Harappa anterior: 3500 a 2600 a.C. (primeiros exemplos de escrita) 
*Harappa madura: 2600 a 1900 a.C. (apogeu) 
*Harappa posterior: 1900 a 1400 (declínio) 

   As descobertas da cidade de Rakhigarhi, contudo, estão causando uma reviravolta nos estudos e nas teorias até agora aceitas pelos especialistas. A cronologia e a geografia da civilização harapeana certamente serão revistas. 

Cidades planejadas 
   A civilização de Harappa foi a primeira do mundo a desenvolver um projeto urbano. As cidades possuíam avenidas largas e quarteirões geometricamente exatos. Os tijolos de suas construções seguiam um padrão de medida. 
   O mais surpreendente era a preocupação com o acesso à água e o saneamento. Os harapeanos desenvolveram uma engenharia hidráulica única no mundo da época. Individualmente ou em grupo, todas as casas eram servidas por poços de água. Possuíam, também vasos sanitários ligados a um canal de esgoto comum, coberto com lajes de pedra, e que percorria toda cidade. 
   Os antigos sistemas de água e esgoto das cidades harapeanas eram muito mais adiantados que civilizações contemporâneas e mais eficientes do que os existentes hoje no Paquistão e na Índia. 
   Na parte alta da cidade, havia uma piscina provavelmente utilizada para banhos públicos (um ritual?) com uma escadaria que permitia descer até seu interior. Este tipo de escada, em geral escavada na rocha, ainda é comum nas construções indianas. 
   As cidades eram muradas mas nada indica que essas estruturas fossem defensivas. As muralhas deviam servir para proteger a população de inundações. 

Mohenjo-Daro, poço no interior de uma construção e, na parte externa, canal de esgoto.

 Grande banho de Mohenjo-Daro. 

Sociedade igualitária 
   Embora algumas casas fossem maiores do que outras, as cidades harapeanas não fornecem pistas sobre diferenças sociais. Não foram encontradas construções de palácios, templos ou um centro de poder. 
   Há uma uniformidade extraordinária nos artefatos e adornos pessoais que não permitem distinguir ricos e poderosos de pobres e subalternos. 
   A sociedade harapeana parece ter sido igualitária e com baixa concentração de riqueza. 

Cenário reconstituindo o cotidiano da sociedade harapeana. 
Museu Nacional da Índia, Nova Délhi. 

Governo 
   Os registros arqueológicos não fornecem respostas imediatas sobre a existência de um centro de poder. Não existem representações de reis, sacerdotes nem exércitos. Não foram encontrados, também, grandes túmulos com funerais complexos destinados a um líder. 
   Poderia ter sido uma civilização sem governantes? 
   Por outro lado, o planejamento das cidades, o sistema de saneamento, a padronização de pesos e medidas e a rede de comércio exterior demandam decisões complexas e controle na execução dos trabalhos. Quem teria se encarregado disso? 

Figura masculina descoberta em Mohenjo-Daro, em 1927. 

Figura feminina descoberta em Harappa, em 1991. 

 Conhecimentos e tecnologia 
   A civilização harapeana foi uma das primeiras a desenvolver um sistema de pesos e medidas padronizado. Uma régua de marfim encontrada em Lothal (a mais antiga régua conhecida), está dividida em 1,7 milímetros, a menor divisão já registrada em uma escala de medida da Idade do Bronze. Os pesos de sílex tinham como unidade padrão 28 gramas. 
   Os harapeanos desenvolveram técnicas de metalurgia do cobre, bronze, chumbo e estanho. 
   O estudo realizado em nove esqueletos encontrados no sítio de Mehrgarh, no Paquistão, datados de 7500-9000 anos atrás, revelou que eles possuíam coroas molares perfuradas feitas nos indivíduos em vida. O estudo foi publicado na revista Nature, em abril de 2006. 
   As estatuetas de “bailarinas”, figuras femininas em aparente pose de dança, também surpreenderam os especialistas. Feitas de bronze, ouro ou terracota elas mostram uma modelagem de pernas e braços representando movimento que, até então, só fora conhecida no período helenístico da Grécia. 
   Miniaturas de carros puxados por bois ou búfalos, possivelmente brinquedos, revelam que a civilização harapeana pode ter sido a primeira a utilizar o transporte sobre rodas. 

Animal com rodas, brinquedo, descoberto em Mohenjo-Daro. 

“Dançarina”, bronze, descoberta em Mohenjo-Daro. 

Carro de boi, brinquedo, descoberto em Harappa. 


Possível sistema de escrita 
   Foram encontrados entre 400 até 600 sinais diferentes gravados em selos de terracota, potes de cerâmica e outros materiais. As inscrições, contudo, são sempre pequenas, em geral utilizam 4 ou 5 caracteres. A mais longa sobre uma superfície única tem 17 sinais. Foi encontrada uma inscrição em um objeto com três faces com 26 símbolos. 
   Essa característica levantou dúvidas: seria, de fato, um sistema de escrita ou seriam marcas de nomes de família, clãs, deuses ou fórmulas religiosas? 
   Além de curtas, as inscrições trazem combinações diferentes de símbolos tornando impossível obter uma interpretação. Faltam sequências mais longas e repetidas. Além disso, numerosas peças com inscrições desapareceram, perdidas ou roubadas, delas restando somente fotografias feitas nas décadas de 1920 a 1940. Essas dificuldades mantêm a escrita harapeana indecifrada. 

Selos de argila com figuras e inscrições. 


Relações comerciais 
   Em contraste com as civilizações da Mesopotâmia e do Egito, sempre em conflito com povos vizinhos, os harapeanos tinham boas relações com os povos que habitavam as colinas e montanhas ao redor do vale do Indo e de Sarasvati – locais ricos em minerais e pedras semipreciosas como cobre, sílex de excepcional qualidade, jade, lápis-lazúli e turquesa. 
   Milhares de selos (pequenas placas de argila) foram encontradas nas cidades harapeanas. Eles trazem figuras de animais e humanas além de inscrições. Serviriam de carimbos para marcar os sacos de cereais e algodão? As inscrições marcariam o nome de seu proprietário ou da família? 
   Muitas dessas placas foram encontradas na Mesopotâmia indicando a existência de um comércio entre harapeanos e sumérios, acadianos e babilônios, realizado pelo mar da Arábia em direção ao golfo Pérsico. Eram comercializados produtos agrícolas, marfim, tecidos de algodão e pedras semipreciosas. 
   Povos da Ásia Central e do planalto do Irã também estavam na rota das caravanas de mercadores harapeanos, e há evidências de contatos comerciais com Creta e o Egito. 

Jóias da civilização harapeana, ouro, cobre, ágata e lápis-lazúli. 

Comerciantes em Harappa, reconstituição artística (National Geographic). 

Declínio e desaparecimento 
   Por volta de 1800 a.C., os sinais de um declínio gradual começaram a surgir e, a partir de 1700 a.C. a maioria das cidades harapeanas foi abandonada. 
   As razões do colapso da civilização de Harappa foram muito discutidas pelos especialistas.
   Em 1953, o arqueólogo britânico Mortimer Wheeler propôs que o fim foi causado pela brutal invasão dos arianos ou árias, tribo indo-europeia da Ásia Central. Como prova, ele apontou os 37 esqueletos encontrados em Mohenjo-Daro e trechos dos Vedas referindo-se a batalhas. 
Esqueletos encontrados em Mohenjo-Daro, foto de 1922.


   Mas a teoria de Wheeler não se sustentou. Os esqueletos pertenciam a um período posterior ao abandono da cidade e as marcas em seus crânios foram causadas pela erosão e não por agressão violenta. 
   Falou-se também que a civilização de Harappa desapareceu repentinamente sem deixar rastros. No entanto, dados arqueológicos atuais indicam que muitos elementos dessa civilização podem ser encontrados em culturas posteriores. Alguns estudiosos procuram demonstrar que a religião védica foi parcialmente derivada da civilização harapeana.  
   Trabalhos recentes têm defendido a teoria de um colapso por razões naturais. Alterações climáticas, mudança das monções (que levavam água às lavouras), mudança no curso de rios (provocada por um terremoto?), erosão e esgotamento do solo são apontados como possíveis causas do abandono das cidades e migração de sua população. Esses fatores teriam levado à crescente escassez de alimentos, à proliferação de doenças e à debilidade física – conforme atestam exames em esqueletos de Harappa. 
   Se razões naturais provocaram o despovoamento em massa de uma extensa área ocupada havia mais 5 mil anos e com milhões de habitantes pergunta-se, então, que consequência terá a degradação ambiental acelerada que ocorre hoje no planeta? 

Veja documentário sobre Mohenjo-Daro, a colina dos mortos (em francês) 

Fonte 
Mohenjo-Daro! Por Jonathan Mark Kenoyer, Universidade de Wisconsin, EUA. 
Unesco – site oficial, página sobre Mohenjo-Daro 
Museu Nacional da Índia – site oficial Para ver o acervo da civilização de Harappa, acesse “Harappan Collection”. 
Museu Nacional do Paquistão Vídeo amador mostra a coleção do museu: artefatos pré-históricos recolhidos em Mehrgarh e objetos da civilização de Harappa.

In: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/a-misteriosa-civilizacao-de-harappa/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues
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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Que tal uma canção de ninar indiana?

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Cinema indiano: trailers e links com resenhas


Segue uma lista com sugestões dos meus filmes indianos favoritos com trailers e links para as resenhas:

Delhi 6 (2009)

Ustad Hotel (2012)

Lagaan (Era uma vez na Índia) (2001)

Rang De Basanti (Pinta de Açafrão) (2006)

PK (2014)

3Idiots (3 Idiotas) (2009)

Monsoon Wedding (Um Casamento á Indiana) (2001)

Water (Ás Margens do Rio Sagrado) (2005)

Devdas (2002)

Midnight's Children (Os Filhos da Meia Noite) 2012

My name is Khan (Meu nome é Khan) (2010)

Baabul (2006)


Om Shanti Om (2007)

Kama Sutra: A Tale of Love (Kama Sutra: Um conto de Amor) (1997)

Saawariya (Apaixonados) (2007)


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domingo, 27 de novembro de 2016

Suporte


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