Depois de muito tempo "fechado para balanço" onde eu continuei escrevendo, porém, de forma particular, este meu blog volta a ser um espaço de construção, desconstrução e reconstrução. Ou um espaço para devaneios sobre o nada.
Não, este meu blog não pretendia ser público, mas o é, mesmo não querendo ser.
Quem escreve, registra suas palavras para si próprio ou para os outros???
Será que realmente escrevemos para que seja lido?
Qual a abrangência de palavras registradas num diário virtual??
Esquecimento?
Eu arquivo?
E eu me inspiro com esta minha foto de uma pequena partícula do acervo do Arquivo Público do Rio Grande do Sul (APERGS)... Onde estão as pessoas que escreveram estes manuscritos? Quem leu e quem ainda os lerá? Ficarão apenas como registros para o trabalho dos Historiadores?
E junto a isso, um trecho do Arnaldo Jabor desta semana:
"Tem gente que fala para mim: "Faz um blog, faz um blog!" Logo eu, que já sou um blog vivo, tagarelando na TV, rádio e jornais... Jamais farei um blog, esse nome que parece um coaxar de sapo boi. Quero o passado. Quero o lápis na orelha do quitandeiro, quero o gato do armazém dormindo sobre o saco de batatas, quero o telefone preto, de disco, que não dá linha, em vez dos gemidinhos dos celulares incessantes.
Comunicar o quê? Ninguém tem nada a dizer. Olho as opiniões, as discussões "on line" e só vejo besteira, frases de 140 caracteres para nada dizer. Vivemos a grande invasão dos lugares-comuns, dos uivos de medíocres ecoando asnices para ocultar sua solidão deprimente.
O que espanta é a velocidade da luz para a lentidão dos pensamentos, uma movimentação "em rede" para raciocínios lineares. A boa e velha burrice continua intocada, agora disfarçada pelo charme da rapidez. Antigamente, os burros eram humildes; se esgueiravam pelos cantos, ouvindo, amargurados, os inteligentes deitando falação. Agora não; é a revolução dos idiotas "on line".